Mensagem

18/10/08

Capítulo VII

Além da Bíblia, Vaduca leva à montanha um caderno com os seus apontamentos a cerca da palavra de Deus. Abre-o e ler para os companheiros de caminhada: “aquele que retêm a palavra de Jesus Cristo a fertilize, faça-a florescer, para que seja concluída a obra divina e assim se realize o destino sublime da humanidade. Esta é a razão da promessa e que a conserva perfeita por geração trás geração. Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Um humilde cordeirinho levado ao calvário para resgatar o novo tempo do Senhor. Ele que se põe à aldrava, livra-nos da palavra vã e reforça a nossa eira. De outro jeito, quem levantará nossa vinha? A palavra do Senhor é ouro puro, conhecimento e sabedoria, síntese da consciência natural, grande feito de Deus para os homens e mulheres, capaz de proteger contra todo mal e ruína”.

Havia um motivo a mais naquela tarde, eram os últimos dias de Ellen na Rosa Santa, e todos combinaram levar algumas dúzias de mistos-frios, sucos e frutas. Os pães foram preparados por Gertrudes; o queijo e o presunto ofertados por Casemiro; as frutas e os sucos ficaram por conta dos outros integrantes da comitiva. Ellen não conseguia conter a emoção, as lágrimas mostravam isso. Não tardava deixar a Rosa Santa. Ela sabia. Voltaria um dia para rever aquela gente, entrementes. Uma coisa ainda a confortava: havia anotado tudo que aprendera com o povo da Rosa Santa e não era pouco - pois eles enfrentavam os problemas de frente e quase sempre com um sorriso no rosto. Jamais se viu naquela gente um olhar de esguelha para o mundo. Ali da montanha, Ellen Verdi revolve o último olhar sobre a vilazinha e murmura: o mundo precisa conhecer os velhinhos sujos de barro.

Casemiro olha ao redor da montanha e avista os prados verdes da Rosa Santa florescendo depois do outono, em seguida pede para fazer uma oração de despedida para a conviva. Ele sabia que tinha passado por um período de provação, mas estava agora renascido pela fé, a partir do amor. Novamente como um carneirinho deslizando pelo céu e ajudando os seus semelhantes. Aquela moça que veio de São Francisco, desde o primeiro contato em meio à tragédia na pororoca, havia mostrado sensibilidade para com os velhinhos da Rosa Santa. Todos sabiam que ela partindo poderia fazer mais pela povoação.

Assim, a repórter partiu para São Francisco; aqueles dias foram as férias mais proveitosas de sua vida. Ela aprendera com os velhinhos da Rosa Santa que Deus se apresenta com mais força no vácuo.

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